“As muitas cores da palavra negro” traz  Luz Ribeiro e Paulo Lins à Feira do Livro 

Encontro foi durante programação e tratou sobre ascensão dos movimentos na periferia e poesia como manifestação política

 

Dois dos mais representativos nomes da literatura e da poesia nos país, encontraram-se no palco principal da Feira do Livro na última quarta-feira.  Luz Ribeiro e Paulo Lins falaram ao público sobre literatura, movimento nas periferias e poesia como forma de organizar pensamentos. A mediação foi do jornalista Nelson Figueira. 

 

Ambos vindos da periferia, ele do Rio, ela de São Paulo, juntos, convergem para a literatura como manifestação maior de pensamento e expressão. Luz, que faz participação ativa em saraus e slams (batalhas poéticas) desde 2012, entrou a pouco no circuito de eventos literários e encontrou neles, um espaço aberto e democrático. “Acho muito importante ainda mais pelas temáticas que fui chamada; mulheridade, periferia, poesia, é de colocar a mulher negra como detentora de conhecimento, e reflexo de momento histórico onde está. Participar da feira é colocar o pensamento em jogo, mais que ocupando o espaço, a gente está reivindicando espaço, estamos no lugar de conquista”, comentou.

Lins, autor de Cidade de Deus, também apontou o evento como fundamental para expansão do pensamento e crítica. “A leitura é nossa maior riqueza, porque faz história e o homem é o único animal que faz história, porque precisa desenvolver espiritualmente”. 

 

O escritor também lembrou que apesar de sua importância a literatura chega de forma limitadora às periferias. “A literatura não chega a 80% da população, por isso é essa desordem. Não adianta, nada vai substituir a leitura, ela tem que acontecer no Brasil como acontece na Finlândia, na França, tem que ser opção governamental. Ela precisa acontecer, pois é crescimento humano”. 

 

Para ele a principal manifestação literária do país vem das periferias, e chega através de movimentos como saraus e slams. “O movimento literário brasileiro mais importante é o da periferia, por vontade política e pelos moradores. Foi a necessidade que gerou isso. Foi e é o maior movimento dos últimos tempos não só pela questão política mas pela difusão da literatura. É caminho sem volta, só vai crescer”. 

 

Luz, que frequenta o movimento há quase dez anos na periferia de São Paulo, confirma o envolvimento crescente de jovens e a busca pelo espaço de manifestação. “Sarau e slam tem linguagem não excludente, onde a pessoa vai se fazer entender. Não precisa de livrarias para ser validado como poeta, quem valida é sua oralidade. Ali, meninos de 15 anos podem ter expressão e organizar seus pensamentos, construir sua própria narrativa”. 

 

Na poesia, segundo ela, está a ferramenta, o revide, o escudo e a contenção, e através dela é possível a criação de uma manifestação genuína da expressão humana e política. “Até conhecer a poesia não sabia que era possível subir um pódium”.

 

Lins, classifica a literatura como uma das mais indispensáveis condições humanas; “Ela desenvolve o espírito, diminui na alma coisas ruins, e só com estudo vão diminuir. A arte é a principal ferramenta de desenvolvimento, sem isso viramos idiotas da objetividade. A arte serve pra te dar humanidade e luz”.