Cristóvão Tezza e Cintia Moscovich  falam sobre internet, livros e cidades

 

Antes de conversar com o público escritores falaram sobre temas diversos com a assessoria da Feira do Livro

 

Cristóvão Tezza e Cíntia Moscovich em comum são escritores, viajam pelo Brasil e possuem um olhar curioso e atento sobre a realidade. Em Foz do Iguaçu para 15a Feira do Livro, os escritores falaram sobre a relação com a cidade, importância de eventos como a FILFI, mas também sobre futuro e internet. 

 

“Essa é a terceira vez que venho à Feira do Livro em Foz. Vou a muitas ao redor do Brasil e são sempre acontecimentos especiais, principalmente porque em nosso país há dívida com essa cultura. O livro é o espaço central, então é fundamental que o estado se envolva nisso justamente pela carência brasileira, há muita desigualdade e muitos problemas sociais. Em tudo que se coloca o livro no centro do palco, a leitura como valor social importante, precisa ser estimulado, não poderíamos ficar sem essa feira”, comentou Tezza. 

 

Para a gaúcha Cíntia Moscovich, as feiras tem importância fundamental especialmente nas cidades fora dos eixos centrais. “Nas cidades cosmopolitas, esse contato com o escritor é mais acessível ao leitor. Já nas cidades menores, essa movimentação é fundamental também para o incentivo à leitura. Pois com a presença do escritor esse fomento à obras dele também acontece. Isso já foi comprovado em vários outras feiras, como em Porto Alegre que estamos na 65a edição”. 

 

Ambos concordam também que a utilização da internet tem valores ambíguos. “Lá nos anos 90, quando veio a internet, eu era muito otimista, achei que pessoas seriam obrigadas a ler e escrever, mas não contava com a  questão da fragmentação, a portabilidade, essa atração hipnótica que exerce sobre as crianças”, comentou o escritor. 

 

Para ele, o problema central está no uso da internet pelas crianças na primeira infância. “Isso começa a ser uma questão de saúde pública, ela (internet) é desagregadora e hipnótica. Mas para os que tem um domínio, é uma ferramenta fantástica, com uma biblioteca universal à disposição”. 

 

A solução é apontada como um trabalho conjunto entre família e escola. “Precisa separar o joio do trigo, vamos precisar nos adaptar, mas é preciso que coloquemos a palavra escrita nos trilhos”. Cíntia reforça a fala de Tezza, “é um jogo duro, mas precisa ser balanceado. Não digo que cabe somente à escola, ou ao poder público, é problema de formação. A família e a escola precisam fazer trabalho conjunto para estimular, mas a casa tem responsabilidade muito maior, lar é matriz”. 

 

Para a escritora nenhum outro exercício pode substituir a presença.”Nunca nada vai substituir a presença física, o restante das aproximações é faz de conta”. Para ela, a realização das feiras são exemplos claros dessa necessidade; “quando uma municipalidade monta uma feira, é recado para a comunidade porque diz isso; que a leitura e a literatura interessam, e são importantes para a formação da cidadania”.

 

Para o futuro ambos celebram a necessidade de adaptação para que todos os atores possam desfrutar igualmente, sem sequelas dos novos meios. “Chega um ponto que as coisas voltam a estado anterior, um retorno às coisas originais, e tenho visto crianças buscando brinquedos de madeira, pular corda, então acredito nesse retorno às coisas simples. Talvez a busca da 

identidade e da origem sejam apelo à origem da raça humana”.