Segurança alimentar é tema de contação de histórias

 

Projeto apoiado pelo Fundo Municipal de Cultura traz de maneira divertida conversa com crianças sobre a importância de uma boa alimentação

 

Quando Yoná Castilho começa a falar sobre a história da Bia, ninguém na plateia consegue prestar atenção em outra coisa, senão nas descobertas de uma menina sobre os alimentos. A história, vira conversa e depois disso, o tema ainda é abordado pelas professoras para outras disciplinas.

 

Em “A história que vem da terra – a horta dos saberes”, aprovado pelo Fundo Municipal de Cultura, a contadora colocou em prática o projeto de conclusão de curso da faculdade sobre segurança alimentar e após um ano de muita pesquisa e convivência com o público, Yoná inscreveu e teve sua ideia aprovada para o Fundo. Desde o início do ano visitou 10 escolas onde falou a mais de mil crianças. Neste último mês de atividade, ofertou contrapartidas sociais, com apresentações na APAE, Nosso Canto e Alternativa.

 

O projeto integra a lista de aprovados em edital do Fundo Municipal de Incentivo Cultural (Lei Municipal n.3645 de 10 de dezembro de 2009), no início deste ano. O FMCI integra o Sistema Municipal de Cultura, sob gestão da Fundação e do Conselho Municipal de Políticas Culturais. “Assim como os demais, esse projeto cria um diálogo com a comunidade  e surge como uma ferramenta de fomento à cidadania”, comentou o diretor presidente da Fundação Cultural, Juca Rodrigues.

 

História

Ao falar sobre alimentação, Yoná também uniu a magia da contação de histórias para levar o questionamento às crianças. “Como se alimentam? Sabem a diferença entre alimento saudável e não saudável?”, questionou. “É muito legal porque criança é muito sincera. É interessante ver a percepção deles de sabores, quando mostro a horta e eles me falam, tem tomatinho na horta, já pergunto se é fruta ou legume. E ficam espantados com a informação que tomate é uma fruta”.

 

Além da personagem principal, Bia, que leva os pequenos a  muitas descobertas sobre os alimentos, Yoná também questiona sobre os alimentos mais consumidos. “Ele vão falando: arroz, feijão batata, e o miojo? Teve uma escola que um dos alunos levantou e disse; miojo não é comida saudável, mas mata a fome. Foi um momento que peguei pra refletir. Acho que vou aprendendo com eles”.

 

O intuito de levar esse assunto, é também motivar professores a trabalharem o tema em sala de aula. “Abre uma porta para que vire tema de aula. O mais legal de tudo, tanto para crianças quanto para os professores, é que em todos as escolas havia essa preocupação de abordar o tema”, disse. 

 

Outra descoberta de Yoná passou pela observação das relações. “Nas escolas que passei, quando a gente conversa sobre a troca com quem assiste, as crianças de maneira geral, percebi a comida, a hora de comer não é um momento de muita comensalidade em casa, mas é na escola.  Quando estão nas escola, vão ao refeitório, há conversa e convívio. Em casa, infelizmente a realidade é outra. Muitas comem vendo de tv, ou mesmo sozinhas. Por isso, às vezes a criança come de tudo na escola e não come em casa”. Para ela, a diferença nos momentos está na apreciação. “Na escola é uma diversão, e em casa, em muitos casos, é só uma parte do dia, sem muita conversa. As que comentam positivamente sempre citam as mães, como a figura que compartilham o momento”. 

 

Nas escolas, a receptividade foi amistosa. “A apresentação foi muito boa, atingiu muitos alunos, e o que ela trouxe chamou muita a atenção das crianças.O tema utilizado pela Yoná, sobre alimentos e horta, acabou consolidando um conteúdo que já estávamos trabalhando, mas  de forma lúdica”, disse Rosinéia Xavier da Silva, coordenadora pedagógica da Escola Municipal João XXIII.