A MULHER NA ARTE DE FOZ

Quem são as mulheres que produzem, expressam e manifestam a arte em Foz do Iguaçu e na região trinacional? “A mulher na arte de Foz” é uma ação de comunicação que consiste em uma série de entrevistas com artistas locais e fecha a programação do Mês da Mulher “Por todas e cada uma”. É uma pequena janela para mostrar e valorizar nossa pulsante produção artística feminina, que emerge vibrante em uma terra única, marcada pela força da natureza e da humanidade.

A mulher na arte do teatro:

Ela tem uma história de amor e dedicação com o teatro que começou há mais de 36 anos, aqui na nossa terra. Na bagagem, uma experiência incrível, que conta com atuações como atriz, produtora e diretora, tanto de teatro como de cinema e televisão. Formada em Artes Cênicas pela PUC-PR, em uma carreira com mais de quarenta produções, ela trabalhou ao lado de grandes nomes da cena cultural nacional e internacional, como Tonio Carvalho, na TV Globo, que coordenava a Oficina de Atores da emissora. Nos palcos, atuou como atriz do espetáculo Casa do Terror, do Teatro Lala Schneider, de Curitiba, um dos mais conceituados no país e que continua em cartaz até os dias de hoje. Seu talento e arte estão também impressos na memória cultural de Joinville. Ela foi fundadora de uma Escola de Atores naquela que é uma das cidades artisticamente mais pujantes de Santa Catarina. Depois de uma vasta jornada de aprendizagem e desafios, ela retornou à cidade em 2005 e desde então tem enriquecido a cultura local. Reconhecida pelos quatro cantos pelo trabalho, ela é uma Mulher na Arte de Foz. Ela é Sandra Schiavini, da SDS Companhia Teatral.

Conte-nos um pouco da sua carreira

Eu iniciei aos oito anos de idade no teatro da escola, como a maioria dos atores, em Foz do Iguaçu. Aos dezesseis fui dar continuidade ao segundo grau em Curitiba, porque pretendia cursar Artes Cênicas e na época, a única faculdade que tinha o curso no Paraná era a PUC. Em 1995 graduei Bacharel em Artes Cênicas. Em 1996 morei em São Paulo, fiz alguns pequenos trabalhos e no ano seguinte no Rio de Janeiro trabalhando com produção de cursos audiovisuais com alguns atores da TV Globo e Tonio Carvalho, que na época, era coordenador da Oficina de Atores da mesma emissora desde 1990. Este trabalho me proporcionou conhecer alguns estados do Brasil e várias pessoas, muitos deles se tornaram meus amigos e permanecem até hoje. Tempo depois voltei para Curitiba, porque descobri que minha paixão, depois de ter mais experiência com audiovisual, realmente era o teatro. Trabalhei no Teatro Lala Schneider como atriz em alguns espetáculos infantis e adultos, dentre eles, o espetáculo Casa do Terror, que está em cartaz até os dias de hoje. Montei uma escola de atores em Joinville e em parceria com o SATED/SC formamos aproximadamente sessenta atores. No final de 2005 em um passeio a Foz, entreguei um currículo para a Fundação Cultural e retornei para Curitiba, dias depois me chamaram para participar de um projeto denominado Arte por Toda Parte e depois deste trabalho, permaneci em Foz.

                                                                                                             Gravação de teste para atriz para o SBT com o ator Oscar Magrini (1994);

Como tudo começou e o que te motivou e motiva?
Eu lembro como se fosse hoje, tinha aproximadamente cinco anos e estava assistindo o filme O Bagunceiro Arrumadinho (1964) com o brilhante Jerry Lewis como protagonista. Não entendia muito o que estava acontecendo, mas sabia que era aquilo que estava assistindo que queria fazer (risos). Estudei em uma escola pública chamada Frederico Engels no Jardim Copacabana aqui em Foz do Iguaçu e na época, no início dos anos oitenta, esta escola incentivava muito as artes, lembro que tínhamos grupos de teatro e dança e eu participava de tudo (risos). E foi nesta época minha primeira apresentação teatral aos oito anos e depois, bem… Depois nunca mais parei (risos). Não sei explicar o que me motivou a seguir a carreira no teatro, nem bem entendia o que era ser “gente” e meus olhos brilhavam e meu coração disparava quando subia ao palco, uma sensação única misturando amor, prazer e realização. O que me motiva hoje para estar exercendo a minha profissão? Acredito que ter a chance de proporcionar as crianças, adolescentes e adultos o contato com a arte, seja no palco ou na plateia, seja para formação de amadores ou profissionais, a mesma oportunidade que aos oito anos eu tive em uma escola pública de Foz do Iguaçu e que me trouxe aqui hoje para falar do que amo fazer e minha profissão.


Estreia Turnê 2015 do espetáculo Maurício e Rebeca. Rebeca e Maurício Congela! patrocinado pela Copel (Lei Rouanet).

 

Quais foram os desafios, as dificuldades pelas quais passou, e os que ainda persistem na atividade cênica?

Para ser um profissional no meio cênico, tem que estudar e muito como qualquer outra profissão. Dom é muito bem-vindo em nossa área, mas dedicação é fundamental. Muitas pessoas pensam que ser atriz é simplesmente subir no palco ou em frente a uma câmera e mencionar o texto e simular alguns sentimentos. Mas nos bastidores há muito o que ser feito. Há uma equipe envolvida e teatro não fazemos sozinhos. Existe uma disciplina sobre ensaios que tem que ser seguida, para que a estreia ou o resultado do trabalho audiovisual seja positivo. Como os trabalhos teatrais ou audiovisuais são na maioria temporários, precisamos sempre estar nos atualizando para testes de elenco, seleções ou editais em nossa área.


Bastidores do espetáculo teatral Os Fuzis da Senhora Carrar de Bertold Brecht (1993);

E os momentos marcantes na carreira..

Eu lembro como se fosse hoje, a primeira vez que subi em um palco aos oito anos de idade, a sensação que tive foi indescritível, e ali eu tive a certeza que gostaria muito de ter a mesma sensação no decorrer da minha vida (risos). Aos onze anos sabia exatamente o que queria profissionalmente, onde pretendia estudar e que curso. Acredito que a faculdade foi a melhor fase da minha vida e tive a “sorte” de ter como professores pessoas extremamente renomadas no meio artístico, o que favoreceu e muito a certeza da minha escolha. Depois trabalhar com pessoas de renome nacional e até internacional, me proporcionou um conhecimento sobre a vida artística que guardo até hoje, coisas boas e coisas não tão boas assim (risos). Ao longo do tempo me dediquei a produção e a direção, atividades que pratico até os dias de hoje e com muita satisfação.
Sua opinião sobre a história cultural da cidade e também sobre o atual contexto – o que melhorou e o que é possível melhorar a expansão do teatro na cidade.
Eu costumo falar que “o que une fortalece e o que divide enfraquece”, tenho muito isso na minha experiência como produtora cultural. Acredito que os olhares para a nossa arte local, deve ser feito em conjunto entre todos os artistas, independente de sua área. Temos alguns grupos no município que estão se apoiando, pois se queremos que a comunidade tenha acesso a arte e cultura, porque não começar pelos próprios fazedores de arte e cultura dando exemplo. Acredito que temos que nos apoiar entre si, construindo algo em equipe, independente de suas opções políticas, religiosas ou sejam qual for, nos “respeitando”. Acabamos de sair de uma conferência municipal, onde tivemos grande participação da comunidade artística, sendo fazedores, colaboradores ou apenas “simpatizantes” com nossa causa. As reuniões de setoriais das áreas artísticas estão acontecendo, o mapa de cultura local está sendo realizado e acredito que, em breve, muita coisa boa está para acontecer, claro se termos consciência de que se nos unirmos, somente temos a ganhar em todos os sentidos.

Como está a produção da CIA hoje e onde funciona?
Desenvolvemos os trabalhos da Companhia e as aulas no Libra, Rua Capivari, 879. Atualmente desenvolvemos as atividades do Ponto de Cultura Projeto Foz Encena, com aulas de interpretação teatral. Voltamos do Sexto Festival Nacional de Teatro do Piauí, onde participamos com o espetáculo teatral Maurício e Rebeca: Rebeca e Maurício Congela! Estamos há dois anos com o espetáculo teatral Vovó.com, com o qual participamos também de alguns festivais. Desenvolvemos trabalhos cênicos temáticos para escolas e empresas. Pretendemos retornar aos palcos com o espetáculo Santa Demência, que é uma comédia para adultos, nos próximos dias. A peça é de autoria do diretor pernambucano Elivaldo Santos.

E como estamos no Mês da Mulher, quais os desafios, e a mensagem que você enquanto realizadora e atriz tem a deixar para as mulheres que querem viver da arte e também transformar sua realidade.

Se conseguirmos ter um olhar direcionado para a representação e participação da mulher na arte e na cultura em diferentes períodos da nossa história, talvez possamos compreender que a figura feminina era interpretada por valores sociais de cada época. Ao longo do tempo, a mulher foi se destacando nas transformações dos valores sociais e ocupando sua independência no que diz respeito não somente a arte e a cultura, mas principalmente no mercado de trabalho. Acredito que em nossos dias, ainda há muita coisa para ser “transformada”, mas a mulher realmente está cada vez mais próxima de conquistar cem por cento do seu espaço, que é claro, é de todo o nosso direito. “Viver da arte” nada mais é do que escolher a arte como profissão e se dedicar ao máximo possível para que as suas realizações venham ao encontro de seus sonhos, somente com um “pouquinho” mais de sensibilidade, afinal de contas, a sensibilidade é inerente aos artistas.

Mais sobre A MULHER NA ARTE DE FOZ:

A região possui uma produção cultural intensa desenvolvida por mulheres que batalham diariamente para manter vivo e alimentar o fazer artístico nas mais diversas linguagens. Elas dançam, cantam, pintam, costuram, bordam, atuam, e através da arte refletem a identidade subjetiva, histórica e social do nosso tempo. A arte cria, ressignifica, reflete e também contribui para a representação deste território.
Mas essa produção nem sempre é conhecida ou reconhecida pela sua comunidade. Ao propormos “A Mulher na Arte de Foz” visamos promover a valorização e a divulgação da arte feita pela mulher – com seus desafios, sentidos, emoções, e a partir da história e do retrato dessas mulheres, fortalecer o processo de empoderamento de tantas outras.

A seleção de mulheres para essa ação de curto prazo foi bastante difícil, mas ela não acaba aqui, ela é apenas o início de um processo de revelação de nossa gente que faz, realiza, produz, transmite, e representa a cultura tão diversa de Foz do Iguaçu. Queremos conhecer seu trabalho, sua arte, seus saberes e também divulgá-los. E por isso, mais uma vez, lhe convidamos a integrar o Mapa da Cultura de Foz, um espaço para dar visibilidade ao seu trabalho, seja das representações artísticas mais conhecidas, mas também os fazeres e expressões culturais e modos de vida.
Neste caminho, também damos mais um passo no cumprimento de uma das missões da Fundação Cultural que é dar visibilidade e promover o acesso e o encontro dos artistas e da arte com a comunidade, e mais do que isso, fomentar e possibilitar o fazer artístico pelos seus cidadãos e cidadãs.

Currículo
Nome: Sandra Schiavini
Data de nascimento: 27 de agosto de 1973 / Naturalidade: Assis Chateaubriand / PR
Estado Civil: Solteira
RG: 5.188.622-4 SSP/PR – CPF: 930.632.619-04
DRT 27798 – Diretora Teatral
DRT 18012 – Diretora de Produção
DRT 12726 – Atriz
Fone: (45) 99919-1000
Formação Acadêmica
Bacharel em Artes Cênicas – PUC / PR – 1995
Atividades Profissionais
 2006 a 2016 – SDS Companhia Teatral

Cargo: Diretora Teatral – Foz do Iguaçu / PR
 2016 – Espetáculo Teatral Vovó.com

Cargo: Diretora Teatral / Produtora– Foz do Iguaçu / PR
 2016 – Espetáculo Teatral Foz Contra a Dengue

Cargo: Diretora Teatral / Produtora – Foz do Iguaçu / PR
 2015 – Lei Rouanet – Projeto MRRMC! (Patrocínio Copel)

Cargo: Produtora Artística – Oeste do Paraná (Foz do Iguaçu, São Miguel do Iguaçu, Medianeira, Matelândia, Cascavel, Umuarama e Toledo) / PR
 2015 – Espetáculo Teatral Santa Demência

Cargo: Diretora Teatral / Produtora – Foz do Iguaçu / PR
 2014 / 2015 – Feira do Salão Internacional do Livro de Foz do Iguaçu

Cargo: Produtora Artística – Foz do Iguaçu / PR
 2013/2014 – Ponto de Cultura Projeto Foz Encena (Ministério da Cultura)

Cargo: Coordenadora – Foz do Iguaçu / PR
 2014 – CEU das Artes (Edital FUNARTE de Ocupação)

Cargo: Coordenadora – Cascavel / PR
 2011 a 2015 – Yes Models

Cargo: Coordenadora e Professora do Curso de Modelo Comercial (Interpretação Teatral/Televisiva) – Foz do Iguaçu / PR
 2014 – Espetáculo Teatral As Desventuras do Sr. Vampíricus

Cargo: Diretora Teatral – Foz do Iguaçu / PR
 2014 – Espetáculo Teatral Nós

Cargo: Diretora Teatral – Foz do Iguaçu / PR

 2014 – Contação de Histórias (Autores Nacionais (Ana Maria Machado, Chico Buarque, entre outros)
 2013 – Espetáculo Teatral A Escrava

Cargo: Diretora Teatral – Foz do Iguaçu / PR
 2012 – Espetáculo Teatral Como Num Filme de Terror

Cargo: Diretora Teatral – Foz do Iguaçu / PR
 2010 a 2012 – Programa Atitude (Programa do Estado do Paraná)

Cargo: Professora de Interpretação Teatral – Foz do Iguaçu / PR
 2011 – Espetáculo Teatral Anos Dourados – Década da Paquera

Cargo: Diretora Teatral – Foz do Iguaçu / PR
 2007 a 2011 – Formação da SDS Cia Teatral

Cargo: Instrutora de Artes Cênicas – Foz do Iguaçu / PR
 2005/2006 – Fundação Cultural de Foz do Iguaçu

Cargo: Professora de Interpretação Teatral – Foz do Iguaçu / PR
 2004 – Espetáculo Teatral: Do Tamanho de Um Defunto

Cargo: Diretora Teatral e Diretora de Produção – Joinville / SC
 2003/2002 – Schiavini Escola para Atores Profissionalizante (Participação de Fábio Sabag, Cininha de Paula e Evaldo Lemos)

Cargo: Diretora e Professora de Interpretação Teatral – Joinville / SC
 2002 – Espetáculo Teatral Infantil: Gotinha, Uma Missão Muito Especial

Cargo: Diretora Teatral e Diretora de Produção – Joinville / SC
 2001 – Art Studio Interpretação para TV (Com Eva Wilma, Reinaldo Gianeccini, Evaldo Lemos, Henry Castelli, André Marques)

Cargo: Diretora de Produção – Curitiba / PR e Joinville / SC
 2000 – Bar Temático Corsário

Cargo: Gerente – Guaratuba / PR
 1999 – Espetáculo Teatral: A Casa do Terror (Parte I)

Cargo: Atriz – Curitiba / PR
Espetáculo Teatral: A Casa do Terror (Parte II)
Cargo: Atriz – Curitiba / PR
 1998 – Zanyor Produções (Rio de Janeiro / RJ)

Cargo: Diretora de Produção – Curitiba / PR
 1997 – Art Studio Interpretação para TV

Cargo: Diretora de Produção – Rio de Janeiro / RJ – Belo Horizonte/MG – Vitória/ES
 1996 – Espetáculo Teatral Infantil: Na Terra da Fantasia

Cargo: Atriz – Curitiba / PR
 1995 – Espetáculo Teatral: A Cantora Careca

Cargo: Atriz – Curitiba / PR
 1995 – Espetáculo Teatral: Álbum de Família

Cargo: Atriz – Curitiba / PR

 1995 – Filme: O Homem de Foz

Cargo: Atriz – Foz do Iguaçu / PR
 1994 – Espetáculo Teatral: Tartufo

Cargo: Atriz – Curitiba / PR
 1994 – Espetáculo Teatral: Espetáculo Teatral: Perseguição e Assassinato de Jean Paul Marat conforme foi encenado pelos internos do Hospício de Charenton, sob a Dir. do Marquês de Sade.

Cargo: Atriz – Curitiba / PR
 1995 – Comercial: Grupo Paulo Pimentel – TV Iguaçu/SBT (Mensagem de Natal)

Veiculação Estadual Cargo: Atriz – Curitiba / PR
 1993 – Espetáculo Teatral: A Casa de Bernarda Alba

Cargo: Atriz e Assistente de Produção – Curitiba / PR
 1993 – Espetáculo Teatral: Os Fuzis da Senhora Carrar

Cargo: Atriz e Assistente de Produção – Curitiba / PR
Foz do Iguaçu, novembro de 2016.